Friday, November 28, 2008
MINEIRIN . . .
/*NUDEZ MINEIRA
Dois cumpadre de Uberaba tavam bem sossegadim fumando seus
respectivo cigarrim de paia e proseano.
Conversa vai, conversa vem, eis que a certa altura um deles
pergunta pro outro:
- Cumpadre, u quê quiocê acha desse negóço de nudez?
- No que o outro respondeu:
- Acho bão, sô!
O outro ficou assim, pensativo, meditativo...e perguntou de
novo:
- Ocê acha bão purcaus diquê, cumpadre?
E o outro:
- Uai! É mió nudês do que nunosso, né mesmo?
SUTILEZA MINEIRA
O cumpadi, há muito tempo de olho na cumadi, aproveitô a
ausência do cumpadi e resolveu fazer uma visitinha para ver
se ela não carecia de arguma coisa...
Chegando lá, os dois meio sem jeito, não estavam
acostumados a ficar a sós....falaram sobre o tempo....
- Será qui chove?
- Pois é.....
Ficô um grande silêncio.....
Aí, o cumpadi se enche de corage e resorve quebrá o gelo:
- Cumadi....qui qui ocê acha: trepemo ou tomemo um café?
- Ah, cumpadi...cê mi pegô sem pó.....*/
/*TREM CAIPIRA
Uma mulher estava esperando o trem na estação ferroviária de
Varginha, quando sentiu uma vontade de ir urgentemente ao
banheiro. Foi....
Quando voltou, o trem já tinha partido. Ela começou a chorar.
Nesse momento, chegou um mineiro, compadeceu-se dela e
perguntou:
- Purcaus diquê qui a sinhora tá chorano?
- É que eu fui urinar e o trein partiu....
- Uai, dona! Por caus dissu num precisa chorá não...tenho
certeza bissoluta qui a sinhora já nasceu com esse trem
partido....
DIPROMA
O velho fazendeiro do interior de Minas está em sua sala,
proseando com um amigo, quando um menino passa correndo por ali.
Ele chama:
- Diproma, vai falar para sua avó trazer um cafèzinho aqui
pra visita!
E o amigo estranha:
- Mas que nome engraçado tem esse menino!! É seu parente?
- É meu neto! Eu chamo ele assim porque mandei a minha filha
estudar em
Belzone e ela voltou com ele!
MINEIRIM NO RIDIJANEIRO
Um mineirim tava no Ridijaneiro, bismado cas praia, pé
discarço. sem camisa, caquele carção samba canção, sem cueca
pur dibacho.
Os cariocas zombano, contano piada de mineiro. Alheio a
tudo, o mineirim olhou pro marzão e num se güentô: correu a
toda velocidade e deu um
mergúio,deu cambaióta, pegô jacaré e tudo mais.
Quando saiu, o carção de ticido finim tava transparente e
grudadim na pele.
Tudu mundo na praia tava oiano pro tamanho do 'amigão' que o
mineirim tinha.*/
/*O bicho ia até pertim do juêio...A turma nunca tinha visto
coisa igual. As muié cum sorrisão, os homi roxo dinveja, só
tinham olhos pro bicho.
O mineirim intão percebeu a situação, ficou todo
envergonhado e gritou:
-Qui qui foi, uai? Seus bobãum... vão dizê qui quando oceis
pula na agua fria, o pintim doceis num incói tamém...?
TRAIÇÃO À MINEIRA
O amigo chega pro Carzeduardo e fala:
- Carzeduardo, sua muié tá te traino co Arcide.
- Magina!! Ela num trai eu não. Cê tá inganado, sô.
- Carzeduardo! Toda veiz qui ocê sai pra trabaiá, o Arcide
vai pra sua casa e prega ferro nela.
- Duvido! Ele não teria corage....
- Mais teve! Pode confiri.
Indignado com o que o amigo diz, o Carzeduardo finge que sai
de casa, sesconde dentro do guarda-roupa e fica olhando pela
fresta da porta.
Logo vê sua mulher levando o Arcide para dentro do quarto
pra começar a sacanage.
Mais tarde, ele encontra com o amigo, que lhe pergunta o que
houve.
E então, o Carzeduardo relata cabisbaixo:
- Foi terrive di vê!!!... ele jogou ela na cama, tirou a
brusa.... e os peito caiu....tirou a carcinha...e a barriga
e a bunda dispencaro.......
tirou as meia...e apariceu aquelas varizaiada toda, as perna
tudo cabiluda.
E eu dentro do guarda roupa, cas mãos no rosto, pensava:
'Ai...qui vergonha que tô do Arcide!!!'
UAI SÔ
Um mineirinho bom de cama, passando por New York, pega uma
americana e parte para os finalmentes.
Durante a relação, a americana fica louca e começa a gritar:
- Once more, once more, once more.....(tradução de once
more: 'mais uma vez')
E o mineirinho responde desesperado:
- Beozonte, Beozonte, Beozonte.....
O EMPRESÁRIO E O MINEIRIM!
Num certo dia, um empresário viajava pelo interior de Minas.
Ao ver um peão tocando umas vacas, parou para lhe fazer
algumas perguntas:
- Acha que você poderia me passar umas informações?
- Claro, sô!
- As vacas dão muito leite?
- Qual que o senhor quer saber: as maiáda ou as marrom?
- Pode ser as malhadas.
- Dá uns 12 litro por dia!
- E as marrons?
- Tamém uns 12 litro por dia!
O empresário pensou um pouco e logo tornou a perguntar:
- Elas comem o quê?
- Qual? As maiáda ou as marrom?
- Sei lá, pode ser as marrons!
- As marrom come pasto e sal.
- Hum! E as malhadas?
- Tamém come pasto e sal!
O empresário, sem conseguir esconder a irritação:
- Escuta aqui, meu amigo! Por quê toda vez que eu te
pergunto alguma coisa sobre as vacas você me diz se quero
saber das malhadas ou das marrons,
sendo que é tudo a mesma resposta?
E o matuto responde:
- É que as maiáda são minha!
- E as marrons?
- Tamém!
INDO PARA A PESCARIA...
Os dois mineiros se encontram no ponto de ônibus em
Cocalinho para uma pescaria.
- Então cumpade, tá animado? pergunta o primeiro.
- Eu tô, home!
- Ô cumpade, pro mode quê tá levano esses dois embornal?
- É que tô levano uma pingazinha, cumpade.
- Pinga, cumpade? Nóis num tinha acertado que num ia bebê mais?!
- Cumpade, é que pode aparece uma cobra e pica a gente. Aí
nóis desinfeta com a pinga e toma uns gole que é pra mode
num sinti a dô.
- É... e na outra sacola, o que qui tá levano?
- É a cobra, cumpade. Pode num tê lá...
MINEIRIM COMPRANDO PASSAGEM
O mineirin vai a uma estação ferroviária para comprar um
bilhete..
- Quero uma passage para o Esbui - solicita ao atendente.
- Não entendi; o senhor pode repetir?
- Quero uma passage para o Esbui!
- Sinto muito, senhor, não temos passagem para o Esbui.
Aborrecido, o caipira se afasta do guichê, se aproxima do
amigo que o estava aguardando e lamenta:
- Olha, Esbui, o homem falou que prá ocê não tem passagem não!
A PESQUISADORA E O MINEIRIN
Uma pesquisadora do IBGE bate à porta de um sitiozinho
perdido no interior de Minas.
- Essa terra dá mandioca?
- Não, senhora. - responde o roceiro.
- Dá batata?
- Também não, senhora!
- Dá feijão?
- Nunca deu!
- Arroz?
- De jeito nenhum!
- Milho?
- Nem brincando!
- Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada?
- Ah! ... Se plantar é diferente..
Thursday, November 27, 2008
FW: Água mineral a partir da água do mar
FALTA DE APOIO OFICIAL E EXCESSO DE " BURROCRACIA"
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Wednesday, November 26, 2008
FW: : A IDADE DOS PAÍSES - por Hernán Casciari
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Frases do Piquet (Nao lembro onde as encontrei - faz tempo)
"O automobilismo brasileiro não poderia estar pior" A atual situação do automobilismo brasileiro (1997).
"Na Indy não se aprende nada. É aposentadoria. É a escolha errada para quem está começando. Na Europa é mais difícil, mas é onde se aprende." Alertando aos pilotos brasileiros que querem seguir rumo a Indy.
"Não quero falar mal, mas aquele piloto não sabe nada. Ele só tem é coragem. No Brasil nunca ganhou nada. É uma pena que essa seja a única pessoa que está aparecendo lá fora." Criticando o piloto brasileiro André Ribeiro.
"Da morte, nunca tive medo. O que não quero é ficar aleijado. Disso sim, tenho um medo que me pelo..." Quando foi perguntado se tinha medo da morte.
"O Senna, é claro! Eu e o Prost já ganhamos tudo e estamos mais pra lá do que pra cá na carreira. O Ayrton, não. Vai se matar se for preciso, para chegar ao título e ser considerado o maior de todos os tempos." Quando foi perguntado quem seria o seu piloto caso ele tivesse uma equipe.
"Uma corrida não se ganha na primeira volta, mas se perde." Dando um alerta aos novatos.
"Mansell é o maior idiota que já vi." Sua opinião sobre o Nigel Mansell.
"A Indy é um brinquedo para velho aposentado, como eu." Perguntado a diferença entre Fórmula-1 e Fórmula Indy.
"O negócio dele é garotões. Eu nunca o vi com mulher." Sobre o gosto sexual de Senna.
"Se tiver eu como!!!" Perguntado se havia algum bicha na Fórmula 1 entre os pilotos.
"Se eu fosse ele, pulava o muro de Interlagos e só aparecia de novo na Argentina" Sobre o que Rubens Barrichelo iria ouvir nos boxes após a rodada em Interlagos.
"Mansell tem as 2 mulheres mais feias da Fórmula 1" Piquet falando sobre as mulheres do Mansell. Uma era a esposa dele, e a outra a estátua da mulher dele que o Mansel tinha mandado fazer e colocado no jardim de casa.
"Não costumo ler jornais e gasto meu tempo livre longe do automobilismo. Não sou como o Senna."
"O Senna vive para o esporte e tira o máximo proveito do fato de ser considerado o grande herói das pistas. Às vezes fico pensando que não sabe fazer mais nada na vida."
"Meu erro foi não ter dedicado um tempo razoável para observar a Lotus antes de assinar o contrato."
"Medo faz parte do jogo, mas o trânsito no Brasil é muito mais fatal do que um circuito de Fórmula-1."
"Bom é viver um dia depois do outro. Isso basta como troféu. Ganhar não é tão importante."
"Mansell é um babaca."
"Quando descobria alguma coisa boa pro meu carro, eu só falava em cima da hora. Assim, não dava pro Mansell aproveitar."
"Senna se arrisca demais; Prost é cheio de frescura; Rosberg muito confuso; e Arnoux, um panacão."
"Na Lotus, o Ayrton ganhava menos da metade do que vivia dizendo. Eu sei disso porque li o contrato dele."
Em Brasília, no final da década de 60 e início dos anos 70 começaram a se desenvolver, com maior intensidade, as atividades automobilísticas na cidade. E foi nessa época que Nelson teve suas primeiras experiências importantes em corridas, competindo com kart. Diz Piquet:
- Teve um ano em que pararam de fazer corridas de kart em Brasília. Eu tinha um kart com motor Parila importado e o pessoal de Goiânia me convidou para correr lá. Eu não estava querendo mais correr em Goiânia. Eu ia lá, ganhava tudo e me davam um troféuzinho de visitante muito modesto enquanto os pilotos da cidade ganhavam troféus grandes porque era prova local. Mas essa era uma corrida longa. No início não queriam me deixar correr. Depois concordaram porque meu tanque de combustível era de apenas 5 litros e acharam que eu perderia muito tempo nos reabastecimentos, já que os outros tinham tanques com capacidade bem maior. Acontece que meu kart era mais rápido e consumia bem menos. Eu liderava tranquilo, parava, voltava à corrida, recuperava a posição. Os goianos ficaram loucos e arrumaram uns caras para me bater. Acabei brigando e me desclassificaram. Eu e uns amigos de Brasília espalhamos gasolina e ateamos fogo no palanque no momento em que o prefeito fazia a entrega dos prêmios. Foi aquela correria. (Marcio Adriano)
Em 1974, Nelson Piquet disputou o campeonato brasileiro de fórmula Super Vê. A quinta etapa em Cascavel, foi desastrosa. O grid de largada foi definido por sorteio porque o equipamento eletrônico da cronometragem oficial havia quebrado. As duas primeiras baterias foram amplamente dominadas por Julio Caio de Azevedo Marques. Nelsinho terminou as duas bem distante, ficando a 12 segundos de Julio Caio na soma dos tempos. A decisão ficou para a última bateria mas era praticamente impossível descontar a diferença. Só mesmo se Julio Caio quebrasse ou... batesse.
Durante toda a terceira bateria Julio Caio veio brincando com Nelsinho. Ele usava uma primeira marcha mais longa que os demais concorrentes e, numa curva para a direita, que antecede a curva que se liga à reta dos boxes, sua saída de curva era sensivelmente mais rápida. Nelsinho andava no limite para encostar em Julio Caio e conseguia sempre fazê-lo naquela curva. Mas na saída da curva perdia terreno. Cada vez que Julio Caio saía da curva "acenava" para Nelsinho. Embora jamais tenha confessado é fácil concluir que os "tchauzinhos" de Julio Caio o irritaram profundamente. E Julio Caio pretendia levar a brincadeira mais longe.Na última volta, depois de passar por aquela curva, Julio Caio simplesmente desacelerou e esperou Nelsinho. Queria cruzar a linha de chegada lado a lado. Percebendo a desaceleração do carro da frente e, vislumbrando a possibilidade de uma ultrapassagem, possesso, Nelsinho "afundou a bota". Julio Caio contornou a última curva mais lento que o normal enquanto Nelsinho tomou a curva muito acima do limite, disposto até a passar por cima de Julio Caio. E foi o que fez. Bateu na roda traseira do carro de Julio Caio, arrancando-a, juntamente com a suspensão e outros pedaços do carro. Foi uma chegada tragicômica. Nelsinho cruzou a linha arrastando-se pela grama, com uma roda dependurada, obrigando o diretor de prova a voltar-se para fora da pista no momento da bandeirada. Julio Caio, sem uma roda traseira, ficou parado cinco metros antes da linha de chegada.
Confusão geral. A maioria dos cartolas levantou-se em defesa de Julio Caio. Afinal, quem aquele "candango pretencioso" pensava que era? No final das contas ainda "deram um jeitinho" de colocar Julio Caio na segunda colocação, ficando a vitória com Nelson. À noite, na entrega dos prêmios, o pobre Nelson apareceu na solenidade calçando dois tipos diferentes de sapato. "É que os pares certos estavam ruins demais." - justificou Piquet. (Marcio Adriano)
Cena 1 - Em 1974 quando foi inaugurado o autódromo de Brasília, designaram um garoto para limpar o capacete de Carlos Reutmann. Quando o garoto lhe entregou o capacete, o Reutmann olhou para o capacete e disse: "Garoto você não serve nem para limpar meu capacete"
Cena 2 - Em 1981 Piquet ganha o seu primeiro campenonato em cima de Carlos Reutmann, vira para ele e diz: "Para limpar seu capacete eu não sirvo, mas talvez você possa limpar o meu que é de Campeão Mundial".Em sua corrida de despedida da F-3, em Silverstone, que venceu, Nelson recebeu um elogio de Jackie Stewart: "Tenho certeza de que no próximo ano você estará festejando uma vitória com aquela enorme garrafa de champanha que os pilotos ganham na Fórmula-1." (Marcio Adriano)
Em uma entrevista concedida à revista Auto Esporte, Nelson respondeu uma pergunta que demonstra o nível de talento, de originalidade e de consciência profissional que já possuía antes mesmo de se tornar um piloto de Fórmula 1. Perguntou o repórter:
- Que conselho você daria a quem vai começar a correr de F-3, agora?"A resposta de Nelson:
"Antes de pensar em acelerar como um alucinado, tentando vencer no braço, no talento natural, pensar um pouco mais na parte mecânica, nos acertos. Por exemplo, convencionou-se que na chuva o carro deve ter mais barra, aerofólio e toda a pressão aerodinâmica possível. Em Silverstone, um circuito de alta velocidade, com três grandes retas, todo mundo fazia isso. Um dia, apareci em plena chuva com aparato de um carro acertado para o seco. Tirei toda a pressão aerodinâmica. Riram na minha cara. Larguei e, nas duas primeiras curvas, fazendo bem devagar, um monte de gente me passou. Nas retas, eu passava por eles como um foguete até que peguei a dianteira e fui abrindo lentamente. Acelerava nas retas e fazia as curvas bem devagar, com todo o cuidado. Foi talvez a minha vitória mais fácil. (Marcio Adriano)
| Pouco depois de sua primeira vitória na F-1, Nelson fez esta declaração à revista Auto Motor: |
| Para chegar a uma vitória na Fórmula-1, o piloto deve contar com todos os recursos possíveis - e também com os inimagináveis - do seu carro ou do circuito. Mas Nelson Piquet exagerou no GP do Brasil disputado em março de 1981 no Autódromo de Jacarepaguá. Pole-position numa largada autorizada momentos depois de forte temporal, Piquet pensou que contaria com a ajuda de São Pedro e apostou que não choveria mais. Dos 24 carros alinhados a espera do sinal verde, somente um não estava equipado com pneus para chuva: o Brabham de Nelson Piquet. Dada a largada, o argentino Carlos Reutemann, o piloto da Williams, assumiu a liderança logo nos primeiros cem metros. E mais: ao completar a primeira volta Piquet já ocupava o modesto décimo-segundo lugar. Para desespero de Bernie Ecclestone, dono da equipe Brabham, e de milhares de torcedores.Piquet deu um breve sinal de recuperação quando a pista começou a secar, na metade da corrida. Pulou de décimo-segundo para oitavo lugar. Mas como a chuva ia e voltava, retornava a posição anterior, na qual terminou a prova. com duas voltas atrás de Reutmannn, o vencedor. No boxe, irritadíssimo, Encclestone disse: "Foi a decisão mais estúpida que já vi na história da F-1". Piquet respondeu: "Apostei e perdi. Se tivesse dado certo, o Bernie me carregaria nas costas aos gritos de meu piloto é um gênio". |
| GP de Mônaco, 1981, sábado pela manhã. Na pista, os carros já rodavam no treino não-oficial (aquele antes da tomada de tempos para o grid). De repente, um corre-corre no boxe da Brabham: - Mas onde está ele? Afinal, onde ele se meteu?Aos berros, o todo poderoso Bernie Ecclestone (então dono da escuderia) perguntava por Nelson Piquet. E nem sombra do piloto nos boxes... Alguém se lembrou, enfim, de telefonar para o hotel. O telefone tocou uma, duas, três vezes; somente na quarta uma voz resfolegante o atendeu: - Alô, Nelson, o que houve? O treino já começou! - alerta, preocupado, Gordon Murray, o engenheiro da equipe. - Sabe o que é? - começou a explicar Piquet. - O que é o quê? - interrompeu, enfurecido, o próprio Ecclestone, tomando o aparelho das mãos de Murray. - A princesa, Bernie. É a princesa... Você não quer que eu a deixe na mão, né? Ainda que contrariado, Bernie não quiz. E no treino da tarde, agradecido, Piquet cravou a pole-position, quase um segundo a frente da Ferrari de Gilles Villeneuve. Para orgulho de Ecclestone e da princesinha, que, sonolenta, no quarto de hotel, entre perfumadíssimos lençois de seda, aguardava o nosso ás para mais uma flying lap... (Renato Maurício Prado) |
| Para um jornalista da revista Auto Esporte Nelson disse pouco antes da prova de encerramento do campeonato de 83, na qual conquistou o bicampeonato: "Se vencer o campeonato vai ser sensacional. Se não vencer também está bom. Pelo menos não vou ter que enfrentar aquele monte de jornalista que cerca um campeão mundial." Nelson nunca disfarçou o fato de se sentir incomodado com o assédio da imprensa e de conversar enquanto está trabalhando. A princípio se dizia que ele não gostava apenas dos jornalistas brasileiros. "Não gosto de jornalistas brasileiros assim como não gosto de jornalistas de qualquer outra parte do mundo", afirmava. (Marcio Adriano) |
| A coisa que mais deixa Nelson irritado é pergunta cretina, do tipo: "Você está com vontade de vencer hoje?" A resposta do bicampeão para tal pergunta bem poderia ser algo como: "Não, hoje estou com vontade de chegar em 15º." E por incrível que pareça essas perguntas são bastante comuns, principalmente por parte de jornalistas não especializados e curiosos. "Vai dar para ganhar hoje, Nelson?", perguntou um repórter da TV Globo. Nelson respondeu: "Eu não sou mago, sou piloto". Um grupo de pessoas em torno do piloto fazia perguntas de todo tipo ligadas ao automobilismo e Nelson respondia pacientemente a todas. Falou sobre o macacão, explicando que é muito quente... até que alguém perguntou: "Mas não existe um sistema de ventilação não?" Nelson se mostrando chocado e inconformado com a pergunta, respondeu ironicamente: "Tem sim! Eu levo um aparelho de ar condicionado dentro do macacão." Qualquer pergunta sem objetividade ou que revele total desconhecimento do assunto receberá de Nelson uma resposta, no mínimo, irônica. (Marcio Adriano) |
| Uma das contribuições do Piquet para a Fórmula-1 foi na troca de pneus. Para não perder tempo aquecendo os pneus após a troca (andar mais devagar) mantinha os pneus aquecidos com cobertores elétricos. Hoje isto é usado no mundo inteiro. |
| E ainda fez mais: o abatecimento durante as corridas. Para o desenvolvimento do fantástico Brabham, juntamente com o Bernie Ecclestone reduziram o tamanho do tanque de combustível, visando diminuir o peso do carro e consequentemente a velocidade. Pelos cálculos do Piquet o tempo que ganhava rodando ou "mais leve" compensava o tempo parado no box. Mais uma vez ele estava certo. |
| Para tornar o Brabham mais competitivo, prejudicaram muito a posição do piloto. Nelson era obrigado a dirigir de lado, forçando o coluna, principalmente durante as curvas. Como conseqüência deste esforço, e dedicação, provocou danos na musculatura das costas, o que o obrigava a sessões de massagem diárias para aliviar a dor. |
| Nos treinos para o GP da Áustria de 1984, já no segundo dia, o Piquet encosta no boxe e diz para o Murray: - Tira a 1a., 2a. e a 3a. marchas.O Murray coçou a cabeça e obedeu. Piquet voltou a pista e fez o tempo mais rápido marcando a pole. Depois do treino, o Murray não se aguentando chegou para o Piquet e falou: - Tá bom, tá bom eu sei que tirando as marchas o carro fica mais leve, também sei que neste circuito elas são desnecessárias durante as voltas, mas o que eu não consigo entender e como você sabia que o carro iria sair de quarta? No que retrucou o Piquet: - Pô cara, foi a primeira coisa que eu fiz hoje de manhã foi sair de quarta para saber se dava. |
| Em 1985, estimulou uma aposta de 10 000 dólares entre Ron Dennis, dono da McLaren, e Bernie Ecclestone, então chefe da Brabham. Denis garantia que iria roubar o piloto da Brabham. Ambos desconheciam, no entanto que o brasileiro já havia assinado contrato com a Williams. |
| O lance da despedida de Piquet da equipe Brabham não poderia ser outro. Aconteceu no dia do GP da Austrália, última corrida de 1985. Terminada a corrida, aconteceu aquele clima de fim de temporada com os pilotos e mecânicos brincando com o público australiano. Piquet teve a idéia, combinou com os mecânicos da Brabham e eles fecharam a porta do box, enquanto o público gritava o nome de Piquet. Em seguida, a porta se abriu e todos estavam de calças abaixadas e de costas para o público. Todo mundo riu. Mas era a despedida de sete anos de risadas gostosas que Piquet e seus amigos da Brabham deram juntos, e que por isso sempre foram chamados de a equipe mais alegre da Fórmula-1. |
| Na Bélgica, perguntado qual a razão do seu carro quebrar durante os treino. Para cada jornalista estrangeiro ele respondia diferente: Foi o câmbio, foi o motor, foi a suspensão. Quando um jornalista brasileiro perguntou porque ele respondeu diferente para cada jornalista estrangeiro, Piquet disse: |
| Essa é mais uma das desavenças com o Mansell. Tem também a história do Panaca. Toda vez que cruzava com o inglês, Piquet o saldava todo alegre a amigável dizendo: - Oi panaca.O Mansell ficava todo alegre e bobo com a saldação "amistosa". Um dia perguntou aos jornalistas brasileiros que trabalhavam na Fórmula-1, o que siginificava Panaca. Quando soube, foi outro bate boca entre os dois com Piquet rindo a beça. |
Numa entrevista a "AutoSprint", Nelson comentava o final da sua brilhante carreira:
- Depois do acidente em Tamburello, em 87, tudo mudou. Ainda consegui conquistar o título naquele ano porque fui mais inteligente do que o Mansell. Passei a correr taticamente e acumulei pontos. Mas a verdade é que depois daquela tremenda porrada - bati com a testa no muro! - nunca mais fui o mesmo. Perdi o feeling da distância da curva. Passei a guiar ansioso, procurando as placas que me mostravam quantos metros faltavam para cada curva, para então decidir quando frearia. (Renato Maurício Prado)
Indianápolis, EUA - Nélson Piquet acelerou tanto em Indianápolis que foi "convidado" pelos comissários do USAC (United States Auto Club, organizador da corrida) a deixar a pista por andar acima do limite estabelecido para o rookie test - a prova de habilitação para estreantes nas 500 Milhas. Piquet ultrapassou as 215 milhas por hora (345,999 km/h), o que é proibido pelo regulamento. Fez uma volta a 219 milhas por hora (352,434 km/h) e acabou tendo que encerrar o treino no sábado.
"A gente já ia parar mesmo", riu Piquet.
Aconteceu no GP da Hungria de 1986. Senna liderava a corrida com a Lotus negra de motor Renault defendendo-se de ataques ferozes de Piquet montando em um Williams com um poderoso motor Honda. Depois de tentar sem sucesso por todos os caminhos humanos, Nélson, sacou da cartola um toque de gênio. Veio por fora no final da reta dos boxes, jogou seu carro de lado como se fosse um kart e passou Ayrton como se fosse um caranguejo enlouquecido. Ninguém jamais foi capaz de superar Senna com tanto risco e depois viver para contar a história. Piquet pode não ter sido tão perfeito como seu inimigo nas pistas, mas pelo menos não ficou devendo essa alegria a sua torcida.
(Mário de Andrada e Silva)
Há dez anos, depois que ganhei pela terceira vez o Campeonato Mundial de Fórmula-1, acertei um contrato espetacular para mudar de equipe. A quantidade de dinheiro era tanta que não dava bem para imaginar quanto representava na realidade. Ainda mais para mim. Eu sempre vivi trabalhando para provar meu ponto de vista nas pistas e contente com o talento que me permitia aproveitar a situação.
Quem me conhece sabe que nunca fiz planos de ser campeão do mundo e o que aconteceu foi acontecendo de forma natural, como conseqüência inevitável de dedicação, envolvimento e sacrifício muito grandes. Posso dizer que sempre vivi a mil por hora, tanto no aspecto relativo de ter sempre tanto o que fazer, como no sentido prático da frase, já que é essa a sensação que se tem ao fazer certas curvas e ultrapassagens em lugares considerados improváveis e impossíveis.Nunca tinha pensado na frase A mil por hora no seu sentido numérico-literal. Mas foi a única maneira que encontrei de dar um rosto ao nome e reconhecer quanto era o dinheiro que iam me pagar para fazer aquilo que gosto. Mil por hora foi então, em 1988 e 1989, um referencial concreto do meu salário. Estivesse eu dentro do carro, dormindo, tomando banho de sol, choveiro ou pilotando o meu jato, não importa, a cada 60 minutos era como se pingassem mais R$ 1 mil na minha conta! Que dinheirão! E faz tempo que isso aconteceu!
Fico só imaginando, com os salários de hoje em dia no futebol, basquete e mesmo no automobilismo, que há muito esportista por aí que já anda, fácil, fácil, a mais de cinco mil por horas.
Minha decisão a disputar a etapa de Brasília do Sul-Americano de Fórmula-3 trouxe de volta lembranças de 20 anos atrás. Saí do Brasil depois de três temporadas na Fórmula Super Vê e fui disputar a F-3 na Europa. A diferença entre as duas fórmulas, naquela época, era muito pequena e eu estava mais do que treinado e motivado. Meu primeiro teste em um March Toyota foi na pista de Casale, perto de Milão, e em dois dias já estava virando tempos bem competitivos. Hoje em dia, sem correr profissionalmente, senti um pouco mais a volta à categoria. Não tenho nenhuma obrigação de andar rápido, mas o instinto é mais forte do que tudo. Depois de treinar três dias, lá estava eu fazendo tempos de altíssimo respeito. A maior diferença de antes para agora, além naturalmente da idade, e a eletrônica embarcada. O sistema PI dá ao piloto tudo o que precisa saber para melhorar as voltas. Dá confiança para acreditar que é possível fazer a curva mais rápido e frear um pouquinho depois. Foi ótimo, porque saí de um carro de 700 HP como a McLaren/BMW para entrar num de 170 HP, muito mais rápido nas saídas de curvas, e precisava desse apoio. No fim, é a mesma questão: é preciso acreditar no que se faz e ter coragem de tentar, sem medo de errar. Dia 22, assim que voltar de Le Mans, entro na pista com todos os jovens pilotos para mostrar que nunca é tarde para começr de novo, mesmo sabendo que agora é mais difícil do que da primeira vez.
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Tuesday, November 18, 2008
Li no blog do Fabio Seixas do UOL. Bastante interessante
70 anos antes de Hamilton...
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